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15/06/2005 - Amendoim, tecnologia e ampliação mercado
 
Amendoim, tecnologia e ampliação do mercado brasileiro

O amendoim é conhecido e cultivado em diversos estados brasileiros, do nordeste ao sul do País. Entretanto, a maior área plantada concentra-se tradicionalmente no Estado de São Paulo (SP), que responde por mais de 80% da produção brasileira. O produto atual destina-se principalmente ao atendimento da demanda como alimento "in natura" ou industrializado (indústrias de confeitaria) e, o restante, para a produção de óleo.
Segundo o pesquisador em melhoramento genético do amendoim do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Ignácio Godoy, há 40 anos o amendoim era uma das principais fontes de óleo vegetal para o Brasil que o exportava e o consumia internamente. Naquela época, São Paulo produzia, por ano, cerca de 700.000 toneladas em casca. Com a entrada da soja na década de 70, o amendoim deixou de ser produzido primariamente para a extração de óleo e passou a atender, em grande parte, a demanda das indústrias brasileiras de doces.
"Entre as décadas de 1980 e 1990, a cultura passou por uma acentuada queda de área plantada e de produção. Ao final dos anos 90, São Paulo plantava em torno de 50.000 hectares na safra das águas e 20.000 hectares na segunda safra", conta o pesquisador.
A partir dos últimos cinco anos, os negócios com amendoim estão retomando relativa expressão econômica, impulsionados pelos seguintes fatores:
ò Introdução de variedades do tipo rasteiro, mais produtivas, adequadas ao sistema de produção mais tecnificado e produtoras de grãos mais aceitos pelo mercado externo (grãos tipo "runner");
ò Investimentos nos processos de colheita e pós colheita com destaque para a utilização de secadores artificiais, o que resultou em significativa redução nos níveis de contaminação por aflatoxina.
Para Godoy, com as novas tecnologias a cadeia de produção, ainda bastante concentrada em São Paulo, apresentou, em curto período, um significativo salto de qualidade, permitindo não só a sua sustentabilidade no mercado interno da confeitaria como também o início da reinserção do Brasil no mercado internacional, dessa vez dirigido para a exportação de grãos "in natura", principalmente para o exigente mercado europeu.
Em função das novas perspectivas de mercado e dos preços atraentes do produto nos últimos anos, o amendoim começa a despertar interesse nacional, sendo as áreas de plantio em São Paulo expandidas e sendo introduzido, com os novos padrões tecnológicos, em outros Estados, como Minas Gerais (MG), Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS) e Bahia (BA). "Hoje, a área estimada de plantio no Brasil, considerando a 1ª e 2ª safras, está em torno de 150.000 hectares, distribuídos entre as lavouras que estão sendo conduzidas nesse novo padrão tecnológico (São Paulo e outros estados) e os pequenos cultivos familiares, tradicionais em diversos estados", calcula.
Onde a cultura está mais tecnificada pode-se esperar, para 2005, uma área de plantio em torno de 120.000 hectares (100.000 hectares na safra de verão), com uma produção bruta (amendoim em casca) projetada de 250 a 300.000 toneladas, segundo Godoy. São Paulo continua como o maior produtor, com uma área plantada em torno de 100.000 hectares entre a 1ª e 2ª safras.

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