UM POUCO MAIS SOBRE O AMENDOIM
AMENDOIM (Arachis hypogaea L.)
1. INTRODUÇÃO
O amendoim é cultivado em escala comercial há muitos anos; Sua produção teve importância expressiva no abastecimento interno de óleos vegetais comestíveis na década de 60, entretanto, com a queda da área cultivada ao longo dos anos, a maior parte da sua produção está sendo destinada às fábricas de doces e ao comércio de grãos. O cultivo do amendoim é atividade agrícola especialmente indicada para regiões de solos arenosos e de particular importância para a renovação de pastagens e reforma de canaviais. A exploração da cultura do amendoim proporciona rentabilidade satisfatória quando não há depressão nos preços pagos aos produtores, as condições de clima são normais e as recomendações técnicas são observadas.
2. CLIMA E SOLO
2.1 CLIMA
O amendoim é uma espécie vegetal de clima quente. As temperaturas mais favoráveis para o seu desenvolvimento e produção situam-se no intervalo de 25°C a pouco mais de 30°C. Temperaturas de 30°C, ou ligeiramente superiores, são as mais benéficas para a germinação das sementes e desenvolvimento inicial das plantas. Temperaturas de 24°C favorecem o florescimento. O coeficiente máximo de utilização das flores foi constadado em temperaturas diurna de 29°C e noturna de 23°C. Em temperatura elevada (35°C) foi registrado redução do coeficiente de utilização das flores e prejuízo para o florescimento. Períodos frios atrasam o desenvolvimento das plantas e a maturação dos frutos. Temperaturas inferiores a 21°C não são adequadas para a produção de amendoim. Grandes diferenças entre as temperaturas diúrnas e noturnas são desfavoráveis para o crescimento das plantas e para a precocidade do florescimento. Trabalho experimental demonstrou que não se forma nenhuma flor quando as diferenças entre as temperaturas do dia e da noite atingem 20°C. A cultura do amendoim, como outras culturas, depende do suprimento de água em todas as fases do seu ciclo para atingir altos rendimentos, porém, nas fases de florescimento intenso e de formação de grãos requer maior suprimento de água. As necessidades de água em cada ciclo de produção variam de 450 a 700 mm. Determinações realizadas com variedades de ciclo curto, mostraram que 490 mm no Congo e 670 mm no Senegal atenderam as necessidades totais de água da cultura. O regime hídrico das regiões produtoras de amendoim do Estado de São Paulo atende, de modo geral, as necessidades de água da cultura da primeira época (setembro-janeiro). Na segunda época (fevereiro a junho), as preciptações mais abundantes não coincidem com períodos de maior necessidade de água, podendo por isso haver redução nos rendimentos. Na cultura do amendoim das águas (1ª época) é comum ocorrer excesso de chuva que dificulta a colheita e prejudica a qualidade do produto. Na cultura do amendoim da seca (2ª época) há risco de estiagem no período de formação dos grãos, com consequente perda de produção. Umidade contínua ou insuficiência térmica limitam cultivos comerciais de amendoim em algumas regiões do estado.
2.2. SOLOS
Os solos arenosos e os argilosos estruturados são geralmente os que oferecem as melhores condições para a exploração da cultura do amendoim. Os de textura média, entretanto, podem ser usados também para o cultivo dessa oleaginosa. As terras destinadas à produção de amendoim devem ter boa drenagem, boa aeração e permitir fácil arrancamento das vagens na colheita. A boa drenagem é necessária ao desenvolvimento normal do amendoim. Nos solos de drenagem deficiente, sujeitos a encharcamento, o excesso de umidade em períodos chuvosos afeta a nutrição das plantas, inibindo seu desenvolvimento. A aeração do solo é importante para a germinação das sementes. As condições mais favoráveis para a germinação ocorrem quando a umidade do solo é inferior à capacidade de campo e um mínimo de 30% da porosidade do solo é ocupada pelo ar. A aeração é importante também na fase de formação das vagens, quando seu processo respiratório se intensifica. A penetração dos ginóforos e a colheita são favorecidas nos solos arenosos. A produção de amendoim do tipo "casca branca" ou "casca clara", normalmente destinado à exportação, requer solos leves e claros, que aderem pouco às vagens e não lhes transmitem cor diferente da sua cor natural. Na escolha da área para o cultivo do amendoim deve ser levado em conta o nível de fertilidade do solo. Solos com fertilidade muito baixa devem ser evitados.
3. CULTIVARES
Cinco cultivares, denominados Tatu, Tatuí, IAC-Oirã, IAC-Poitara e IAC-Tupã, são recomendados atualmente para plantio, entretanto, somente o cultivar Tatu está sendo comercializado.
1. Cultivar Tatu- porte ereto, ramo principal, sete ramos secundários e seis terciários, em média. Flores em todos os ramos. Vagens com predominância de três ou quatro sementes e 3-3,5 cm de comprimento, com casca quase lisa e septos pouco pronunciados. Sementes com película vermelha, peso médio de 0,45 g e 46% de óleo. Ciclo de 90 a 120 dias. Nas regiões produtoras, é cultivado também amendoim Tatu Branco, que difere do cultivar Tatu lela cor da película suas sementes, que é branca. Em teste realizado no Instituto Agronômico, apresentou produtividade semelhante à do Tatu.
2. Cultivar Tatuí- porte ereto, ramo principal, sete a oito ramos secundários, doze ramos terciários. Flores em todos os ramos. Vagem com predominância de duas sementes, e comprimento médio de 2,8 cm, com casca bastante reticulada, e constrição variável, chegando a bastante pronunciada. Sementes com película creme, peso médio de 0,48 g e 49,5% de óleo. Ciclo de 100 a 120 dias. O Instituto Agronômico de Campinas, através de sua Seção de Genética divulgou os dados apresentados a seguir, relativos aos cultivares IAC-Oirã, IAC-Poitara e IAC-Tupã. Cultivar IAC-Oirã- é formado por quatro linhagens resultantes de seleções individuais realizadas nas gerações F4 e F6 do cruzamento de Tatuí com Roxo 80-1. Apresenta plantas eretas, com ciclo de 110-120 dias do plantio à colheita. Seus frutos são reticulados, com constrição moderada, bico pequeno, apresentando de uma a três sementes, sendo que a grande maioria, ao redor de 82%, exibe duas sementes com tegumento de coloração creme. Os frutos com uma e três sementes correspondem a 16% e 2% respectivamente. O seu rendimento (peso de sementes/peso de vagens) é da ordem de 74,6%, comparado a 75,8%, observado no cultivar Tatu, em condições experimentais. As sementes apresentam 25,85 e 53,19% de proteina e óleo, com peso de 66,2 g para 100 sementes, enquanto que no Tatu essas características mostraram valores de 25,60 e 21,52 e 44,4 g, respectivamente. As producões médias de vagens obtidas no cultivo das águas e da seca, nas diversas regiões produtoras, em vários anos, foram respectivamente 3.053 e 2.053 kg/ha, comparadas com 2.588 e 1.641 kg/ha conseguidas pelo Tatu. Considerando as médias das duas épocas de cultivo, esse cultivar produziu 2.553 kg/ha, o que corresponde a 20,7% a mais do que a do Tatu, que foi 2.114 kg por hectare. Cultivar IAC-Poitara: é constituído pela mistura de três linhagens, sendo duas obtidas por meio de seleções individuais na geração F4 do cruzamento de Tatuí x Roxo 80-1, e, a terceira, em F4 de 482 x Roxo 80-1. Esse cultivar exibe características de planta, ciclo e frutos semelhantes às do IAC-Oirã, diferindo desse na coloração das sementes, que apresentam película de cor vermelha. O IAC-Poitara apresenta 16, 81 e 3% dos frutos com uma, duas e três sementes, respectivamente, e rendimento de 74,6%. Quanto aos teores de proteína e óleo e peso de 100 sementes, os valores encontrados, nesse cultivar, foram 25,68 e 53,24% e 66,0 g. As produções médias do IAC-Poitara nos plantios das águas e da seca, em vários anos, nas regiões produtoras, foram 2.961 e 1.945 kg/ha de vagens, comparadas com 2.588 e 1.641 kg/ha obtidas pelo cultivar Tatu. Levando-se em consideração a média das duas épocas de cultivo, a produtividade do IAC-Poitara foi 2.453 kg/ha, sendo 16% maior que a do Tatu (2.114 kg/ha). Cultivar IAC-Tupã: formado por quatro linhagens oriundas de seleções individuais efetuadas na geração F6 do cruzamento de CA-84 x Tatu Amarelo, apresenta plantas eretas, cujo ciclo está em torno de 100 dias, portanto, próximo ao cultivar Tatu. Seus frutos reticulados, com constrição moderada e bico pequeno, possuem de uma a três sementes de coloraçào vermelha. A maioria dos frutos, cerca de 83%, apresenta duas sementes, sendo que os demais, com uma e três sementes, correspondem a 15 e 2% aproximadamente. O rendimento nesse cultivar é 76,2%. Suas sementes apresentam 25,24 e 52,93% de proteina e óleo. O peso de 100 sementes é 64,8 g. Essas características no cultivar Tatu são 25,60 e 51,52 e 44,4 g, respectivamente. As produções médias, em vários anos e regiões de produção, nos cultivos das águas e da seca, foram 2.985 e 1.927 kg/ha. O Tatu obteve 2.588 e 1.641 kg/ha nos plantios das águas e da seca. A produtividade do IAC-Tupã, considerando a média das duas épocas de cultivo, foi 2.456 kg/ha, que corresponde a 16,1% a mais que os 2.114 kg/ha conseguido pelo Tatu.
4. PLANTIO
A Pesquisa Agrícola, apoiada em resultados experimentais, indica os meses de setembro e outubro como os mais favoráveis para o plantio do "amendoim das águas" . O "amendoim das águas" pode também ser plantado até meados de novembro e atingir rendimentos elevados se a tecnologia disponível for adotada e as condições de clima forem normais durante o ciclo da cultura. Para o amendoim da seca, fevereiro é o melhor mes, e quanto mais cedo o plantio for realizado, menor será o risco de falta de umidade na fase de formação de grãos. O amendoim é semeado em sulcos, distribuindo-se 15 a 20 sementes por metro linear, à profundidade de 5 a 8 centímetros. O espaço entre as linhas de plantas atualmente recomendado, é de 60 centímetros. Esse espaçamento pode sofrer pequena variação sem prejuízo para o rendimento da cultura. Outros espaçamentos têm sido adotados em culturas com arrancamento mecanizado das vagens. Visando melhor desempenho dos arrancadores, em algumas lavouras esta empregando o sistema de linhas duplas, que permite o arrancamento simultâneo de quatro linhas. Nesse sistema, o espaçamento tem variado de 20 a 30 cm na linha dupla, e de 60 a 75 cm entre as linhas duplas. Nas lavouras de amendoim são empregadas sementes certificadas, sementes fiscalizadas e amendoim comum. As sementes certificadas e fiscalizadas são beneficiadas, selecionadas por tamanho e tratadas com fungicida. Essas operações são realizadas em unidades de produção de sementes. O amendoim comum, destinado ao plantio, provém da propriedade agrícola, de terceiros ou de máquinas de benefício. Para o seu emprego na semeadura é descascado geralmente limpo de impurezas por catação manual e tratado com fungicida. O sucesso do plantio depende de alguns cuidados. A observância dos cuidados relacionados a seguir contribui de maneira significativa para a obtenção de bom "stand", - uso de sementes melhoradas, de preferência certificadas ou fiscalizadas - teste de semeadeira para assegurar a densidade de semeadura recomendada e eliminar as causas de injúrias nas sementes; - início da semeadura quando há calor, após constatação de umidade suficiente no solo; - operação de semeadura em velocidade moderada, acompanhando a distribuição das sementes; -leve pressão sobre a terra que cobre as sementes, para favorecer a absorção da água pelas sementes. O teste da semeadeira é feito na velocidade da operação de plantio, deslocando-se a semeadeira cinco metros para a verificação da densidade de semeadura.
5. COLHEITA
O rendimento do amendoim é mais elevado quando a maior parte das suas vagens são colhidas plenamente maduras. O estabelecimento do ponte de colheita é difícil porque as vagens não se formam ao mesmo tempo, e diversos fatores, envolvendo condições climáticas, época de semeadura, nutrição das plantas e controle das doenças e pragas, influem na diração do período de maturação das vagens. A observação do desenvolvimento dos grãos e da cor da parte interna da casca (marrom-escura quando o amendoim está maduro) é uma maneira prática de conhecer com certa aproximação o momento mais indicado para o início da colheita. O amendoim `- cultivar Tatu com razoavel freqüência atinge o ponte de colheita pouco antes de 110 dias depois de semeado. A colheita do amendoim é realizada com diferentes operações de acordo com o método utilizado. Na colheita totalmente mecanizada, as plantas são arrancadas mecanicamente e após secagem no campo suas vagens são destacadas das ramas em máquinas que recolhem as plantas enleiradas no terreno. Depois da batedura, elas são normalmente ensacadas e os sacos são deixados sobre o solo para posterior recolhimento por carretas ou caminhões.
Esse tipo de colheita requer, às vezes, ceifa de parte da folhagem para viabilizar a operação de arrancamento. Na colheita manual, procede-se o corte das raízes, seguindo-se o arrancamento manual, secagem no campo, batedura das vagens em balaio, abanação em peneira e ensacamento. No sistema semi-mecanizado, a batedura das vagens é realizada mecanicamente. O arrancamento mecânico geralmente acarreta maior perda de vagens. Tem como aspectos positivos a execução do corte da raízes concomitante com a operação de arrancamento das plantas, e rendimento elevado da operação, possibilitando aumento da área cultivada. Para pequenas áreas existe trilhadeira estacionária, alimentada manualmente, que bate a produção de aproximadamente 2,5 hectarees em um dia de trabalho. Esse tipo de trilhadeira assemelha-se à do feijão; requer a formação de montes de plantas junto à máquina.
Trilhadeiras tracionadas por trator e alimentadas manualmente também são apropriadas para pequenas áreas. As trilhadeiras devem ser devidamente reguladas para evitar perdas excessivas. Em teste do Instituto Agronômico, as bateduras manual e mecânica apresentaram perdas semelhantes. O rendimento médio da cultura do amendoim em São Paulo é da ordem de 2.000 quilos de vagem por hectare. Rendimentos de 3.000 quilos por hectare são freqüentes em muitas lavouras, e há registro de rendimentos de 4.500 quilos por hectare.
6. BENEFÍCIO E ARMAZENAMENTO
6.1 Benefício
A secagem das vagens do amendoim é realizada no campo. Esse sistema de secagem prejudica a qualidade do produto, quando ocorre períodos prolongados de chuva.Chuvas prolongadas dão mal aspecto ao produto colhido e podem acarretar sua contaminação pela afloxina. Para o controle da afloxina é recomendada a secagem parcial no campo por dois ou três dias, e a seguir secagem artificial em secador mecânico, até a umidade das vagens baixar para 11%. A secagem em secadores convencionais pode ser efetuada a 55°C. Trabalho do ITAL mostra que a conservação do produto é satisfatória quando ele é seco a 55°C. Para sementes, é recomendado secagem à temperatura inferior a 40°C. Nos secadores em que o ar aquecido atravessa a carga de vagens, após passar por um fundo falso, a temperatura recomendada é de 35°C. O beneficiamento das vagens é, via de regra, feito por cerealista ou cooperativas em máquinas de benefício. Em diversas firmas é usado processo eletrônico na seleção de vagens ou de grãos.
6.2 Armazenamento
O armazenamento do amendoim por curto período de tempo na propriedade agrícola requer armazem (ou galpão) limpo, seco, ventilado, vedado a entrada de roedores onde não penetre água por infiltração ou pelo piso. Os sacos devem ser empilhados sobre estrados que os afastem do solo, deixando-se espaço entre as pilhas e as paredes. Antes do armazenamento, o amendoim deve ser seco e fumigado. Armazenamento por períodos longos exige controle sistemático das pragas.
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